Pitacos Fashion

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ago 06

Está acontecendo a exposição ‘Jeans: tecendo comentários entre arte e moda‘ na Casa Contemporânea na Vl. Mariana em São Paulo. Fui conferir e vou dividir a experiência aqui.

Antes, vamos falar um pouco sobre a história do jeans. O jeans surgiu por volta de 1850 com Levi Strauss, que usou algumas lonas para produzir calças com rebites e abertura entre pernas para ventilação, visando eficiência no trabalho dos garimpeiros. Dali em diante, cada vez mais profissionais utilizavam essas calças, que foi se popularizando. Porém, essa peça só se tornou mesmo parte do cotidiano a partir da década de 60 com James Dean transmitindo seu look easy ryder no cinema. Era a cara da independência, quebrando o paradigma com o ‘arrumadinho’. Na década de 70 o jeans continua dominando o cenário, mas numa pegada mais hippie, remetendo à vida livre com sua praticidade e conforto, uma vez que é de fácil manutenção por não precisar lavar sempre que usado e protege do frio. Nessa década também surgiram os Stone Washed, trazendo a customização do jeans e fazendo com que ele se tornasse cada vez mais uma forma de expressão. Já na década de 80, essa customização se voltou para o mercado de luxo, com os jeans bordados de Versace, juntamente com os yuppies, que introduziram o casual day às sextas feiras. Os yuppies eram os executivos da Wall Street que se vestiam com seus ternos austeros, suas camisas brancas com suas gravatas Hermès e suas canetas Mont Blanc. Mas no casual day ele ia de jeans. E com isso, acabva expressando quem realmente era, o que existia por trás da couraça de executivo. Por fim, da década de 90 pra cá teve uma uniformização através da marca, a partir do momento que estas procuram diferenciais para se estabelecer no mercado, como a Levi’s e a Diesel. Essa globalização trouxe lavagens e acabamentos mais elaborados, um produto mais bem desenvolvido. A peça é obrigatória na moda. Faz parte do cotidiano em qualquer lugar do mundo. 

Voltando à exposição, esta partiu da ideia de intercalar as diferentes frentes da arte (como arquitetura, a plástica, a visual, entre outras) em relação à arte moda, propondo reflexões através da calça jeans. Em parceria com a Cipolla Jeans, renomada marca de Fortaleza (e que está chegando à São Paulo!), 10 artistas receberam uma calça jeans, sendo que eles até poderiam escolher a modelagem, porém sem garantias de que seriam atendidos. Eles tiveram 2 meses para refletir e criar. O resultado? Sugiro que você pare de ler o texto aqui, vá à exposição e depois volte para terminar de ler e pitacar com a gente!

Silvia M. - artista visual

Pedra (instalação)

Silvia demonstra a transformação através dos sentimentos. A impressão que passa é de um sentimento de agonia e angústia que não contém ao ponto de romper e expelir. Ao mesmo tempo é egoísta, está dentro de si, só para si, preso(?). 

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Marcelo Salles – arquiteto, artista visual e crítico de arte

Para Celant (instalação)

Marcelo utilizou materiais simples para demonstrar toda uma estrutura construindo torres – é rústico, bruto. Revestiu em folhas de ouro, remetendo a questão do hi-lo que tanto se fala na moda.

 

 

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Claudia Sampaio – artista visual (Fortaleza)

Mais um dia… (instalação, fotografia, vídeo)

A artista trouxe um pedaço de sua casa: a parede. Nela, Claudia constrói e desconstrói, conforme quer passar o que sente (talvez seja por isso o vídeo). Numa referência bem pop-art, utiliza além de objeto e imagens, palavras para expressar o momento.



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Nadia Rezende – artista têxtil

Azul da cor do mar (instalação)  

Nadia montou um kit viagem. E tudo o que ela precisa é de um jeans, uma camiseta e um barco. A princípio, a sensação é de pescaria. Ou férias. Preguiça, rede, sexo. Uma obra típica de vitrines européias, como a Dior.

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Célia Saito - artista visual

Técnica moderna de primeiros socorros – página 04 (instalação e fotogravura)

Célia está desenvolvendo um trabalho sobre primeiros socorros e fez essa ponte: jeans emergencial. Pensando bem, a moda é emergencial, uma vez que trocamos de coleção a cada 6 meses. Mas, e nossa personalidade e gostos pessoais, mudam com essa freqüência? E então, será mesmo isso apenas um jeans?

 

Marcia Gadioli - artista visual

Jeans dentro pra fora (escultura)

Marcia questiona na parafina o que está por dentro. Você já investigou seus jeans ao contrário? Se apegou à detalhes, costuras, movimento? Aliás, jeans é um movimento, como explica Bianca Cipolla (estilista da Cipolla Jeans): ‘…calça jeans, elemento básico presente no cotidiano do mundo inteiro sem fazer distinção de classe social, idade, raça ou qualquer outra referencia; que atravessa o tempo, se adapta às exigências da contemporaneidade e conserva sua iconicidade, registra as marcas do corpo, cria identidade.’ – O que você exterioriza em sua indumentária? 

 

 

 

 

 

Adriana Affortunati - artista visual

sem título (objeto)

Adriana trouxe suas memórias pessoais. Fez um mix de objetos, peças e palavras. À primeira impressão lembra o cangaço, mas sua principal referência é entre o feminino e o masculino. Há um ditado que diz: ‘Por trás de todo grande homem, há uma grande mulher’. A obra mostra justamente a mulher sobreposta ao homem, o quanto ela é tão ou mais importante que ele. Também, depois de queimarmos sutiãs em praça pública, né…

 

Luciana Camuzzo - artista visual

Blue jeans (objeto)

Luciana questiona porque o jeans é azul. Por que é tão difícil fazer combinações com uma calça de alfaiataria azul e tão fácil combinar uma calça jeans índigo com outras peças? Para isso ela usou o jeans numa lavagem diferente (que ela mesma teve que fazer) e (observe) TE PESCA a participar da nova lavagem… azul! O sempre azul. 

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Mariana Chaves artista visual

Calça-me (fotografia)

A ideia inicial da Mariana era que pessoas diferentes usassem a mesma peça. Por se torar inviável, ela resolveu fazer tal experimento ela mesma. E ela incorporou a calça, tanto que até costurou a etiqueta na prórpia pele (!). Lembra as propagandas da Levi’s nos anos 90. E é também uma analogia até onde você usa a marca porque ela reflete sua personalidade ou até onde sua personalidade reflete a marca que vocês está usando. Status? Aceitação social?

 

Zilamar Takeda - artista têxtil

Firmeza (objeto)

Eu gostei muito dessa obra. A presença é forte, profundo, raízes ou veias. Há vida? Tem sangue? A artista cita: ‘As coisas boas são como árvores com raízes profundas, por isso dão bons frutos’ (desconhecido). Mas onde estão os frutos?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A exposição fica até dia 27/08/2011, confiram! E tem mais fotos no nosso álbum do Flickr!

 

Colaboração: Casa Contemporânea, Fabrice Wermus e Monica Penteado

Escrito por Dani Argibay em 6 agosto, 2011 | Tags: , , ,