Pitacos Fashion

Pitacos sobre moda, arte, cultura e muitas outras coisas. Welcome!

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ago 06

Está acontecendo a exposição ‘Jeans: tecendo comentários entre arte e moda‘ na Casa Contemporânea na Vl. Mariana em São Paulo. Fui conferir e vou dividir a experiência aqui.

Antes, vamos falar um pouco sobre a história do jeans. O jeans surgiu por volta de 1850 com Levi Strauss, que usou algumas lonas para produzir calças com rebites e abertura entre pernas para ventilação, visando eficiência no trabalho dos garimpeiros. Dali em diante, cada vez mais profissionais utilizavam essas calças, que foi se popularizando. Porém, essa peça só se tornou mesmo parte do cotidiano a partir da década de 60 com James Dean transmitindo seu look easy ryder no cinema. Era a cara da independência, quebrando o paradigma com o ‘arrumadinho’. Na década de 70 o jeans continua dominando o cenário, mas numa pegada mais hippie, remetendo à vida livre com sua praticidade e conforto, uma vez que é de fácil manutenção por não precisar lavar sempre que usado e protege do frio. Nessa década também surgiram os Stone Washed, trazendo a customização do jeans e fazendo com que ele se tornasse cada vez mais uma forma de expressão. Já na década de 80, essa customização se voltou para o mercado de luxo, com os jeans bordados de Versace, juntamente com os yuppies, que introduziram o casual day às sextas feiras. Os yuppies eram os executivos da Wall Street que se vestiam com seus ternos austeros, suas camisas brancas com suas gravatas Hermès e suas canetas Mont Blanc. Mas no casual day ele ia de jeans. E com isso, acabva expressando quem realmente era, o que existia por trás da couraça de executivo. Por fim, da década de 90 pra cá teve uma uniformização através da marca, a partir do momento que estas procuram diferenciais para se estabelecer no mercado, como a Levi’s e a Diesel. Essa globalização trouxe lavagens e acabamentos mais elaborados, um produto mais bem desenvolvido. A peça é obrigatória na moda. Faz parte do cotidiano em qualquer lugar do mundo. 

Voltando à exposição, esta partiu da ideia de intercalar as diferentes frentes da arte (como arquitetura, a plástica, a visual, entre outras) em relação à arte moda, propondo reflexões através da calça jeans. Em parceria com a Cipolla Jeans, renomada marca de Fortaleza (e que está chegando à São Paulo!), 10 artistas receberam uma calça jeans, sendo que eles até poderiam escolher a modelagem, porém sem garantias de que seriam atendidos. Eles tiveram 2 meses para refletir e criar. O resultado? Sugiro que você pare de ler o texto aqui, vá à exposição e depois volte para terminar de ler e pitacar com a gente!

Silvia M. - artista visual

Pedra (instalação)

Silvia demonstra a transformação através dos sentimentos. A impressão que passa é de um sentimento de agonia e angústia que não contém ao ponto de romper e expelir. Ao mesmo tempo é egoísta, está dentro de si, só para si, preso(?). 

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Marcelo Salles – arquiteto, artista visual e crítico de arte

Para Celant (instalação)

Marcelo utilizou materiais simples para demonstrar toda uma estrutura construindo torres – é rústico, bruto. Revestiu em folhas de ouro, remetendo a questão do hi-lo que tanto se fala na moda.

 

 

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Claudia Sampaio – artista visual (Fortaleza)

Mais um dia… (instalação, fotografia, vídeo)

A artista trouxe um pedaço de sua casa: a parede. Nela, Claudia constrói e desconstrói, conforme quer passar o que sente (talvez seja por isso o vídeo). Numa referência bem pop-art, utiliza além de objeto e imagens, palavras para expressar o momento.



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Nadia Rezende – artista têxtil

Azul da cor do mar (instalação)  

Nadia montou um kit viagem. E tudo o que ela precisa é de um jeans, uma camiseta e um barco. A princípio, a sensação é de pescaria. Ou férias. Preguiça, rede, sexo. Uma obra típica de vitrines européias, como a Dior.

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Célia Saito - artista visual

Técnica moderna de primeiros socorros – página 04 (instalação e fotogravura)

Célia está desenvolvendo um trabalho sobre primeiros socorros e fez essa ponte: jeans emergencial. Pensando bem, a moda é emergencial, uma vez que trocamos de coleção a cada 6 meses. Mas, e nossa personalidade e gostos pessoais, mudam com essa freqüência? E então, será mesmo isso apenas um jeans?

 

Marcia Gadioli - artista visual

Jeans dentro pra fora (escultura)

Marcia questiona na parafina o que está por dentro. Você já investigou seus jeans ao contrário? Se apegou à detalhes, costuras, movimento? Aliás, jeans é um movimento, como explica Bianca Cipolla (estilista da Cipolla Jeans): ‘…calça jeans, elemento básico presente no cotidiano do mundo inteiro sem fazer distinção de classe social, idade, raça ou qualquer outra referencia; que atravessa o tempo, se adapta às exigências da contemporaneidade e conserva sua iconicidade, registra as marcas do corpo, cria identidade.’ – O que você exterioriza em sua indumentária? 

 

 

 

 

 

Adriana Affortunati - artista visual

sem título (objeto)

Adriana trouxe suas memórias pessoais. Fez um mix de objetos, peças e palavras. À primeira impressão lembra o cangaço, mas sua principal referência é entre o feminino e o masculino. Há um ditado que diz: ‘Por trás de todo grande homem, há uma grande mulher’. A obra mostra justamente a mulher sobreposta ao homem, o quanto ela é tão ou mais importante que ele. Também, depois de queimarmos sutiãs em praça pública, né…

 

Luciana Camuzzo - artista visual

Blue jeans (objeto)

Luciana questiona porque o jeans é azul. Por que é tão difícil fazer combinações com uma calça de alfaiataria azul e tão fácil combinar uma calça jeans índigo com outras peças? Para isso ela usou o jeans numa lavagem diferente (que ela mesma teve que fazer) e (observe) TE PESCA a participar da nova lavagem… azul! O sempre azul. 

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Mariana Chaves artista visual

Calça-me (fotografia)

A ideia inicial da Mariana era que pessoas diferentes usassem a mesma peça. Por se torar inviável, ela resolveu fazer tal experimento ela mesma. E ela incorporou a calça, tanto que até costurou a etiqueta na prórpia pele (!). Lembra as propagandas da Levi’s nos anos 90. E é também uma analogia até onde você usa a marca porque ela reflete sua personalidade ou até onde sua personalidade reflete a marca que vocês está usando. Status? Aceitação social?

 

Zilamar Takeda - artista têxtil

Firmeza (objeto)

Eu gostei muito dessa obra. A presença é forte, profundo, raízes ou veias. Há vida? Tem sangue? A artista cita: ‘As coisas boas são como árvores com raízes profundas, por isso dão bons frutos’ (desconhecido). Mas onde estão os frutos?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A exposição fica até dia 27/08/2011, confiram! E tem mais fotos no nosso álbum do Flickr!

 

Colaboração: Casa Contemporânea, Fabrice Wermus e Monica Penteado

Escrito por Dani Argibay em 6 agosto, 2011 | Tags: , , ,

mai 02

Foi de um jeito despretensioso que nos conhecemos. Sem perceber já estava automaticamente marcado aquele encontrinho gostoso onde a gente discutia e trocava experiências… E dali nasceu uma linda amizade e consequentemente o nosso Blog. Somos três meninas com personalidades completamente diferentes… E assim esta troca se torna mais rica…

Por isso SEJAM MUITO BEM VINDOS !!

Como é meu primeiro post oficial, queria contar um pouquinho da minha história aqui no Blog. Sou produtora artística e Consultora de Imagem e trabalho alguns anos com televisão e teatro… No ano passado fiz a produção de uma peça musical muito especial… Por mais que já tenha se passado um tempo do término do espetáculo (acabou em outubro do ano passado), quero compartilhar esta experiência com vocês…

O musical era JEKYLL & HYDE, O MÉDICO E O MONSTRO

 

 

 

 É um espetáculo que conta a batalha entre o bem e o mal, desencadeada por um experimento de um médico, Henry Jekyll, com seu próprio ser. A experiência resultou em Edward Hyde, seu alterego com personalidade assassina. No meio de tudo isso ele se envolve com duas mulheres Emma sua noiva e a prostituta Lucy.

O espetáculo contava com grandes profissionais do teatro musical como Nando Prado, Kacau Gomes e Kiara Sasso com direção geral do americano Fred Hanson.

Mas um dos nossos destaques, além de toda qualidade artística e musical, vinha do figurino assinado pelo estilista Fause Haten.

Tínhamos aproximadamente 150 figurinos em cena. Os tons que predominavam eram escuros e fortes como roxo, verde e dourado e com tecidos brilhantes dando um efeito incrível no palco. As modelagens remetiam à Belle Époque: para as mulheres saias volumosas (para as bem nascidas!!), babados, espartilhos de barbatana e ferro marcando as cinturas (confeccionados pela Madame Sher que é perita no assunto!) e para os homens casacas, mantôs, capas pretas e golas rebuscadas.

O figurino duplo, primeiro do médico Jekyll, era de uma alfaiataria impecável, com calças mais ajustadas. Já Hyde tinha sua marca registrada, um sobretudo de couro com corte da época.

O figurino de Emma, que era moça respeitável, da sociedade, se resumia com tons claros como champanhe e rosados. Como era recatada, usava gola da camisa bem fechada. Os tecidos eram finos.

Lucy, a prostituta, usava sempre corsets, criando uma silhueta super sexy. Usava também calçolas com franjas, que tomavam o lugar das saias. Os corsets, aliás, eram importantíssimos no bordel Rato Rubro esbanjando sensualidade.

O Fause teve super liberdade de criação e tornou o figurino mesmo de época mais contemporâneo. O resultado final ficou lindo lindo!

Você pode conferir aqui a matéria que fizemos para o GNT Fashion contando o processo de criação…

Agora o que acho interessante é que podemos pegar estas referências e transportar para nossa realidade, para nosso dia-dia, duvida?

O corset todo bordado da cena do noivado de Emma está reproduzido a sua maneira na coleção de Emilio Pucci inverno 2012…

A saia de babados também do noivado aparece como referência na coleção do próprio Fause de primavera verão 2010-2011…

O casaco de couro do Hyde está “presente” na coleção de Salvatore Ferragamo inverno 2012…

É só procurarmos que podemos utilizar as idéias de um figurino de época para os dias de hoje…

Enfim, foi um trabalho muito interessante, de muito amor e de muito suor!!Afinal produzir um projeto desta escala não é fácil, não!!!

Até a próxima!

Giovana

* crédito fotos: Fabio Hofnik, Rafael Beck, Caio Gallucci e sites Espaço FH, Emilio Pucci e Salvatore Ferragamo.

Escrito por Gi Menni em 2 maio, 2011 | Tags: , ,

abr 29

O QUE ACHEI DO CASAMENTO REAL – por Dani

Lindo! Obviamente. Ao contrário do que vemos e pensamos no Brasil, muitas convidadas de tons pastéis quase brancos. Mas quando a noiva é uma (quase) princesa, não tem disputa por atenção, vamos combinar. Chapéus: acho chic! Principalmente por ser de dia, embora não fosse ao ar livre. Mas isso também é um hábito da cultura do país. Foi THE acessório do evento. E os comprimentos dos vestidos foram outro show à parte. Super apropriado ao horário, ao evento e à todo o contexto. Tudo tinha um porquê, desde as flores do buquê às raças dos cavalos reais.

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

 

E a rainha de amarelo? Não encontraria cor mais apropriada, brilhante como o sol, o topo da pirâmide monárquica que representa, num contraste suave à sua pele. Faltou ostentação? Lembrem-se da recessão econômica. Muito bem pautado nos detalhes das vestes não só da rainha como, inclusive, da mãe e da irmã da noiva.

 

E o que mais fez nossos olhos brilharem: o vestido da noiva. Absurdamente lindo na simplicidade. Coerente à imagem da agora Princesa Catherine e ao tempo que ela representa. Ela é a protagonista de um conto de fadas da era hi-tec. Não poderia ser de outra grife senão Alexander McQueen. Embora o que chamou mais atenção foi o tomara que caia sobreposto por renda, o detalhe mais forte foi a cintura demarcada por uma ilusão de casaqueto sobre o quadril. Uma cauda suave, bem século XXI. Gostei muito da escolha dela assim como foi acertada a escolha da imortal Lady Di. Cada princesa em seu tempo, quando o super volume era a marca do momento em 1981. Mas essa é Kate. Acredito que ela apenas continuará, ao lado de William, o legado deixado por Diana. A princesa do povo.

Beeeeeeeejo! Dani

CASAMENTO O VEREDICTO… – por Giovana

Depois de muita espera e especulação, finalmente saiu o casamento de Kate e William

Amei o vestido discreto mas elegantérrimo de Kate….Feito por Sarah Burton, da Alexander McQueen, ele traz um glamour e elegância do passado, das divas…Muito parecido com o vestido de casamento de Grace Kelly, com rendas, mostrando romantismo e delicadeza e com um corset mais decotado, muito bacana, pois ficou mais contemporâneo, mais leve, mais fresco…. Pra finalizar uma cauda  discreta…E o mais importante pra resumir é que tem tudo a ver com o estilo da noiva!!!

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

 É o perfeito exemplo de que realmente menos é mais…O segredo está nos detalhes, valorizando a silhueta, bem feminina.

Gostei muito também da cintura marcada e saia evasê…(me lembra a silhueta do new look da Dior)

O cabelo estava interessante por fugir do tradicional….E mais uma vez enfatiza seu lado romântico pelos cachos soltos…(Tenho certeza que vai gerar muitas controvérsias!!!).A maquiagem, pra quem não sabe, foi feita pela própria Kate.Uma dica pra quem fica em dúvida na hora do casório, aposte no certo, aquilo que já fica bem em você, como a Kate fez!!!!

Os brincos delicados também combinaram e não ofuscaram a tiara Cartier de 1936 emprestada pela Rainha….

Os convidados, especialmente as convidadas, estavam em sua maioria com vestidos casacos dando uma certa simplicidade….Para dar a finalização aos looks, todas estavam com seus devidos chapéus obviamente uma tradição dos eventos da realeza britânica…

Pra finalizar, a Rainha Elizabeth II, precursora do color blocking (rsrsrs), surgiu com um modelo amarelo canário, que achei interessante e apropriado para a posição que exerce.

De qualquer forma, o casamento, além de ser um sopro de ar fresco para a imagem da monarquia britânica, retoma a era dos contos de fadas, afinal o romantismo nunca sai de moda.

beijinhos Giovana

PITACOS SOBRE O CASAMENTO REAL… – Por Lili

E, como hj, os donos do mundo são Kate e William, haha, não posso deixar de dar os meus pitacos do que achei do casório. Mas antes de começar a colocar meu dedo no casamento dos outros, a título de curiosidade apenas, vcs sabem como surgiram os primeiros reis? Então: Diz a lenda que desde que o homem desenvolveu a agricultura, os bandos relativamente igualitários de caçadores-coletores foram dando lugar a sociedades maiores e mais complexas, que, se não exigiam, ao menos ofereciam espaço para uma autoridade central. Nasciam assim os primeiros reais e, com eles as primeiras tiranias

Voltando ao casório, vamos aos meus pitacos:

O Vestido: Kate optou por um vestido clássico assinado por Sarah Burton, sucessora de Alexander Mc Queen. Achei o vestido lindo! O corpo com estrutura tomara que caia e mangas em renda deram um ar romântico a produção. O vestido marcava bem a cintura e a cauda minimalista vai bem de acordo ao estilo de Kate.

Pude perceber semelhanças com o vestido de Grace Kelly.

Foto: Google Images

 

O Buquê: Foi elaborado pelo florista responsável pela ornamentação arbórea da Abadia de Wesminster. Na linguagem florista, o que representa cada uma das flores incluídas no buquê?

“Sweet William” – representam o galanteio,

lírios do vale – simbolizam a volta da felicidade,

jacintos – indicam a constância no amor.

mirto – representam o casamento e o amor

Achei que o buquê seguiu o restante da produção: CLEAN! Gostei muito.

A Tiara: A tiara Cartier não era aquela coisa caricata de princesa, sabe? Era muito delicada. Adorei a escolha!

 

O Véu: Achei que mesmo dificultando um pouco a visão do rosto de Kate,  o uso era necessário por conta da tradição. Como a tiara era muito delicada, o caimento do véu foi perfeito.

 

O Cabelo: Foi a única coisa que não gostei! Achei que estava muito “lambido” na frente. Acredito também que este tipo de cerimônia pede a formalidade do cabelo todo preso. Mas, como andam dizendo, foi pedido do Príncipe William Kate estar de cabelo solto.

 

E vocês, o que gostaram ou mudariam na produção de Kate, ops! Agora Princesa Catherine?

Bjos, Lili

Escrito por Gi Menni em 29 abril, 2011 | Tags: , ,

fev 20

Os carnavalescos adoram usar expressões exageradas, como ‘invadir a avenida‘, ‘desfile grandioso‘, sem contar o tamanho de seus carros alegóricos. Como disse semana passada, nunca liguei pra esse negócio de carnaval. Mas esse ano, além de um motivo específico e meu, também fui convidada por amigos do heart para ir ao Sambódromo e, escandalizada comigo mesma, não é que gostei! Assim, é bonito de ver, é um show, como uma coleção de moda a ser desfilada depois de trabalhada, além de uma expressão da cultura brasileira. Mas ainda continuo achando um gosto estragado… Gosto é gosto.

Aí, lá no Rio de Janeiro, a escola Porto da Pedra teve como tema a História da Moda. Claro que eu assisti! E achei bem interessante os links que eles fizeram, embora a transmissão da todapoderosa Rede Globo tenha deixado, e muito, a desejar. Mããããs, olha só: o primeiro carro representava a Pré História com Os Flinstones. A princípio, achei que não tinha nada a ver, até porque acredita-se que o homem começou a se cobrir com peles de animais por proteção, depois também por pudor. E o tigre símbolo da escola estava usando boné e piercing neste carro, como assim?!

Os Flinstones da Pré História e o Tigre de Piercing

Com a evolução da escola, fui percebendo as conexões. Afinal, na moda se fala muito de retrô e vintage, que são justamente esses resgates em modas passadas misturados ao modernismo. Então, a escola foi passando pela Antiguidade Clássica, Idade Média (enfatizando o Bizâncio e o Gótico), Renascimento, Barroco, Rococó e Neoclássico, até então mostrando a realeza como influência (ditadora) da moda, depois Século XX e Brasil. Claro, aquilo tudo é apenas uma representação e não daria tempo de mostrar tanta história, mesmo. Para quem não entende nada de História da Moda, assistir à Porto da Pedra teria sido um exercício tanto válido. A escola conseguiu mostrar a evolução e as relações diretas dos movimentos de arte com a arquitetura e, principalmente, a moda.

A Cleópatra da Antiguidade Clássica, o Gótico da Idade Média, a Rainha Elizabeth do Renascimento (melhor de baiana que de Geyse!) e o Rei Luís XIV do Barroco

Só que nem tudo é perfeito… A Geyse estava lá, desfilando, representando justo a Rainha Elizabeth! Se ainda houvesse restos mortais da bichinha por aí, ela deveria ter se remexido mesmo no túmulo… De qualquer forma, ela estar na mídia tem a ver com indumentária. Então compreensível, vai. Em contrapartida, Marília ‘Coco Chanel’ Pêra desbancou esse pequeno deslize e a-ha-sou!! Sem contar tantas outras referências representadas, que foram desde Charles Worth (considerado o ‘Pai da alta costura’ por assinar suas criações, acreditando que eram obras de arte, como na pintura, e criando a exclusividade na moda) a Clodovil, passando por Lanvin, Yves Saint Laurent, Valentino, Madeleine Vionnet e queridíssimos brasucas, como Alexandre Herchcovitch, Zuzu Angel, entre outros. Alguns até presentes na avenida!

Naomi de Yves Saint Laurent à la Mondrian, Marília 'Coco Chanel' Pêra e Alexandre Herchcovitch

Se você perdeu essa aula, vale conferir no site da Porto da Pedra a sinopse do desfile, uma aula tão básica quanto a transmitida, só faltou imagens. Falando nisso, ficou claro que os repórteres poderiam ter feito pelo menos uma pesquisenha básica no Google, pois nunca ouvi tanta baboseira sobre o tema! Ou então, como disse @LilianPacce, não custava nada ter convidado alguém da área para fazer comentários decentes e válidos, a escola merecia! E a entrevista com Paulo Menezes, carnavalesco da Porto da Pedra, ao Fashion Foward também é ótema!

E pra finalizar, o refrão mais lindo do samba enredo, um pensamento de presente para nós, admiradores da moda:

Sapucaí Fashion Day e alguns dos nossos estilistas

Eu sei que a arte caminhou
Modéstia à parte encontrou
Na moda a luz da emoção,
Em cada estilo uma expressão

Infelizmente, a Porto da Pedra não agradou muito os quesitos carnavalescos e ficou na antepenúltima colocação… Pelo menos não foi rebaixada.
Escrito por Dani Argibay em 20 fevereiro, 2010 | Tags: ,

dez 05
Então, eu estou lendo um livro que ganhei de presente de aniversário que se chama ‘A Sombra do Vento’. Ele conta uma história que um rapazinho bom leitor, além de filho de livreiro, que se embrenha a desvendar o mistério que ronda a vida do escritor do livro de mesmo nome. E a história se passa na Barcelona pós-2ª guerra. Muitas identificações, a começar que a época citada é o mesmo momento que meu avô deixa a Espanha para viver aqui no Brasil, fugido da Guerra Civil, promovida pelo tal Governo Franco.
Eu não sou nenhuma leitora assídua, embora quisesse. Pura preguiça, sabe? Mas esse livro tem prendido bem minha atenção por dois motivos: 1 – há um mistério a ser desvendado; 2 – fico imaginando as cenas descritas, principalmente em relação à indumentária. Aí, fiquei lembrando das aulas de História da Moda, revendo o material das décadas de 40 e 50 e imaginando o que se vestia naquela Barcelona. A história é em primeira pessoa e o narrador descreve bem os detalhes. E então, nas minhas pesquisas, percebi que, aparentemente, a descrição das vestimentas é um pouco ‘atrasada’ em relação ao que estava acontecendo no cenário da moda daquele momento. E isso pode acontecer por n motivos.
Uma delas é por conta da transição das décadas, pois a moda não se atualiza na virada da década, num ponto determinado. Ela leva um tempo para evoluir, se estabelecer e continuar se transformando, como tudo nessa vida. Outro possível motivo, imagino que o que se usava na Espanha era o que se usava na Europa, e o centro da moda era Paris (ou ainda é?). Mas, lá, lembrando das aulas, me ocorreu um nome: Cristóbal Balenciaga. Este distinto senhor foi um estilista e costureiro espanhol de grande destaque, não só na Espanha e na França, também conhecido como ‘Arquiteto da Costura’, pois uma de suas marcas era brincar com proporções e cores. Esse nome ficou um pouco perdido no tempo, mas agora está voltando com tudo. Prestem atenção!
Mas, voltando à referência ao livro, a grande diferença entre o estilo Balenciaga e o descrito é: o narrador fala de mais de uma mulher com silhuetas demarcadas, vestidos acetinados, cores românticas e tudo mais. E, neste momento, Balenciaga (além de Dior, depois Chanel e outros), estava desmarcando a cintura, deixando a mulher mais mulher e mais a vontade, porém sempre elegante, como a linha ‘A’ de Dior e, ao mesmo tempo, criando o chamado New Look. E este sim, se parece mais ao que o narrador do livro descreve. E foi Dior que criou esta última citação. Para quem não sabe, é a cintura bem marcada e saias rodadas. Beeeem anos 50!

Porém, a maioria dos personagens da história é masculino. E aí, a gente cai naquilo que já conversamos por aqui. Os mocinhos sempre desprovidos de recursos de beleza… O narrador fala muito sobre o uso de jaquetas. E daí, já imagino justamente o que foi discutido em aula: a moda masculina da década de 50 era basicamente paletó comprido, calça justa, gravata, cores escuras e sóbrias. Engraçado que o composè de meu avô ainda é bem próximo disso.

Ainda bem que esta mesma década também é conhecida como os anos dourados, onde os rapazes foram muito bem representado por Elvis & cia., com aquele ar de rebeldia composto por topetes e brilhantinas, camisetas de malha, jaquetas de couro e as nossas atualíssimas calças jeans. Ruptura dos valores, uma verdadeira revolução naquele momento!!

Ler é muito bom e faz a gente atiçar a criatividade da cachola. Melhor ainda quando conseguimos fazer links com nossos interesses pessoais, né mesmo?!

Escrito por Dani Argibay em 5 dezembro, 2009 | Tags: , , ,

nov 10

Eis a hora de se apresentar.

Este blog nasce de um momento insano, de uma motivação que veio quando estava vivendo o nada. E o nada me fez prestar atenção em meus desejos, aparentemente mais banais.

‘Moda? Imagina!! Loucura… Afinal, que talento eu tenho pra isso?’ – Pois é… Descobri esse tal talento, embora nunca tenha tido verba sequer pra comprar uma Vogue.

Tudo bem, muita calma nessa hora. Bate papo com uma aqui, vai ao shopping com outra lá, dá uns pitacos aleatórios e tals… E comecei a ouvir o que precisava. Consultoria de Imagem me soa muito bem, obrigada!

E agora, o que fazer? Corre para avaliação profissional, conversa com um, pesquisa com outro, troca informação, oops! Mas com quem?! Lembra que parecia loucura? Ah, sim! Pesquisa!! O que, onde, como… 1º passo: estudar. E dá-lheGoogle! Quais as melhores opções? Pesa valor, pesa tempo, pesa qualidade. Curso técnico: 1 ano e meio… Tá, vamos lá. Pooota preguiça… Olha! Achei um de História da Moda, 6 semanas, valor acessível!! Vou fazer os dois!

Começa História, conhece pessoas da área, brigando por um lugar ao sol, ainda que seja só uma amizade. 1ª aula e vem a doida: ‘Olha, se é consultoria o que você quer, parabéns! Começou pelo curso certo. Agora, técnico… Você tem dom pra desenhar?‘ – Umas das coisas que nem mamãe, nem a escola me ensinou foi desenhar. Parece até que nasci com duas mãos esquerdas! (Bem que eu gostaria de ser canhota…). Melhor conversar com um profissional já atuante, né? Resultado: curso técnico cancelado. Vamos aguardar o curso de Consultoria, então. Só depois do carnaval…

E assim o tempo vai passando… Ansiosa como sou, confesso que está sendo um baita exercício de paciência. Mas está sendo muito bom! Até porque descobri entre minhas novas amiguinhas do curso (todas fashion, tá?) que eu não estava tão sozinha nesse barco. Bafo! Acredita que praticamente nenhuma delas tinha companhia sequer pra bater perna na Oscar Freire?!

* Gostaria de agradecer alguns incentivadores desse blog: minha amiga Candice, que há tempos me incentiva e foi minha primeira vítima fashion. Ao Fernando que sempre me ajuda a dar os próximos passos, mesmo com toda minha teimosia. Aqueles que me acham uma bonequinha de luxo, elogio que recebo de braços abertos e que me engrandece horrores – Audrey rocks! A todos que se aventurarem a ler este blog e que me ajudarem a complementá-lo. E, claro! Aos meus pais e Deus, pois só existo por causa deles! Enjoy it!

Escrito por Dani Argibay em 10 novembro, 2009 | Tags: , , ,