Pitacos Fashion

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set 13

Ontem fui conferir o desfile da Dior, na Rua Haddock Lobo, promovido pela revista Vogue, o Fashion Night Out, evento de compras que desenvolve ações especiais para seus clientes em várias lojas da região da Oscar Freire e Shoppings Cidade Jardim e Higienópolis.

 Na Dior, as ações foram os lançamentos da bolsa Miss Dior, o kit de delineadores adesivos, o Velvet Eyes, onde seis maquiadores aplicavam o produto nas convidadas e o desfile da coleção inverno 2011/12, a mesma desfilada em Paris.

O desfile foi muito bacana, bem feminino, com peles, golas, botas de cano alto, franjas e muita cintura marcada!!!Veja fotinhos do evento e 2 vídeos, o primeiro com uma parte do desfile e o outro com a entrada final.

Muitos detalhes em laranja e Donata Meirelles, diretora de estilo Vogue

 

 

Muito bom ter eventos deste porte no Brasil!!Que venham mais!!

Até a próxima!!

Giovana

 

Escrito por Gi Menni em 13 setembro, 2011 | Tags: ,

ago 06

Está acontecendo a exposição ‘Jeans: tecendo comentários entre arte e moda‘ na Casa Contemporânea na Vl. Mariana em São Paulo. Fui conferir e vou dividir a experiência aqui.

Antes, vamos falar um pouco sobre a história do jeans. O jeans surgiu por volta de 1850 com Levi Strauss, que usou algumas lonas para produzir calças com rebites e abertura entre pernas para ventilação, visando eficiência no trabalho dos garimpeiros. Dali em diante, cada vez mais profissionais utilizavam essas calças, que foi se popularizando. Porém, essa peça só se tornou mesmo parte do cotidiano a partir da década de 60 com James Dean transmitindo seu look easy ryder no cinema. Era a cara da independência, quebrando o paradigma com o ‘arrumadinho’. Na década de 70 o jeans continua dominando o cenário, mas numa pegada mais hippie, remetendo à vida livre com sua praticidade e conforto, uma vez que é de fácil manutenção por não precisar lavar sempre que usado e protege do frio. Nessa década também surgiram os Stone Washed, trazendo a customização do jeans e fazendo com que ele se tornasse cada vez mais uma forma de expressão. Já na década de 80, essa customização se voltou para o mercado de luxo, com os jeans bordados de Versace, juntamente com os yuppies, que introduziram o casual day às sextas feiras. Os yuppies eram os executivos da Wall Street que se vestiam com seus ternos austeros, suas camisas brancas com suas gravatas Hermès e suas canetas Mont Blanc. Mas no casual day ele ia de jeans. E com isso, acabva expressando quem realmente era, o que existia por trás da couraça de executivo. Por fim, da década de 90 pra cá teve uma uniformização através da marca, a partir do momento que estas procuram diferenciais para se estabelecer no mercado, como a Levi’s e a Diesel. Essa globalização trouxe lavagens e acabamentos mais elaborados, um produto mais bem desenvolvido. A peça é obrigatória na moda. Faz parte do cotidiano em qualquer lugar do mundo. 

Voltando à exposição, esta partiu da ideia de intercalar as diferentes frentes da arte (como arquitetura, a plástica, a visual, entre outras) em relação à arte moda, propondo reflexões através da calça jeans. Em parceria com a Cipolla Jeans, renomada marca de Fortaleza (e que está chegando à São Paulo!), 10 artistas receberam uma calça jeans, sendo que eles até poderiam escolher a modelagem, porém sem garantias de que seriam atendidos. Eles tiveram 2 meses para refletir e criar. O resultado? Sugiro que você pare de ler o texto aqui, vá à exposição e depois volte para terminar de ler e pitacar com a gente!

Silvia M. - artista visual

Pedra (instalação)

Silvia demonstra a transformação através dos sentimentos. A impressão que passa é de um sentimento de agonia e angústia que não contém ao ponto de romper e expelir. Ao mesmo tempo é egoísta, está dentro de si, só para si, preso(?). 

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Marcelo Salles – arquiteto, artista visual e crítico de arte

Para Celant (instalação)

Marcelo utilizou materiais simples para demonstrar toda uma estrutura construindo torres – é rústico, bruto. Revestiu em folhas de ouro, remetendo a questão do hi-lo que tanto se fala na moda.

 

 

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Claudia Sampaio – artista visual (Fortaleza)

Mais um dia… (instalação, fotografia, vídeo)

A artista trouxe um pedaço de sua casa: a parede. Nela, Claudia constrói e desconstrói, conforme quer passar o que sente (talvez seja por isso o vídeo). Numa referência bem pop-art, utiliza além de objeto e imagens, palavras para expressar o momento.



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Nadia Rezende – artista têxtil

Azul da cor do mar (instalação)  

Nadia montou um kit viagem. E tudo o que ela precisa é de um jeans, uma camiseta e um barco. A princípio, a sensação é de pescaria. Ou férias. Preguiça, rede, sexo. Uma obra típica de vitrines européias, como a Dior.

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Célia Saito - artista visual

Técnica moderna de primeiros socorros – página 04 (instalação e fotogravura)

Célia está desenvolvendo um trabalho sobre primeiros socorros e fez essa ponte: jeans emergencial. Pensando bem, a moda é emergencial, uma vez que trocamos de coleção a cada 6 meses. Mas, e nossa personalidade e gostos pessoais, mudam com essa freqüência? E então, será mesmo isso apenas um jeans?

 

Marcia Gadioli - artista visual

Jeans dentro pra fora (escultura)

Marcia questiona na parafina o que está por dentro. Você já investigou seus jeans ao contrário? Se apegou à detalhes, costuras, movimento? Aliás, jeans é um movimento, como explica Bianca Cipolla (estilista da Cipolla Jeans): ‘…calça jeans, elemento básico presente no cotidiano do mundo inteiro sem fazer distinção de classe social, idade, raça ou qualquer outra referencia; que atravessa o tempo, se adapta às exigências da contemporaneidade e conserva sua iconicidade, registra as marcas do corpo, cria identidade.’ – O que você exterioriza em sua indumentária? 

 

 

 

 

 

Adriana Affortunati - artista visual

sem título (objeto)

Adriana trouxe suas memórias pessoais. Fez um mix de objetos, peças e palavras. À primeira impressão lembra o cangaço, mas sua principal referência é entre o feminino e o masculino. Há um ditado que diz: ‘Por trás de todo grande homem, há uma grande mulher’. A obra mostra justamente a mulher sobreposta ao homem, o quanto ela é tão ou mais importante que ele. Também, depois de queimarmos sutiãs em praça pública, né…

 

Luciana Camuzzo - artista visual

Blue jeans (objeto)

Luciana questiona porque o jeans é azul. Por que é tão difícil fazer combinações com uma calça de alfaiataria azul e tão fácil combinar uma calça jeans índigo com outras peças? Para isso ela usou o jeans numa lavagem diferente (que ela mesma teve que fazer) e (observe) TE PESCA a participar da nova lavagem… azul! O sempre azul. 

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Mariana Chaves artista visual

Calça-me (fotografia)

A ideia inicial da Mariana era que pessoas diferentes usassem a mesma peça. Por se torar inviável, ela resolveu fazer tal experimento ela mesma. E ela incorporou a calça, tanto que até costurou a etiqueta na prórpia pele (!). Lembra as propagandas da Levi’s nos anos 90. E é também uma analogia até onde você usa a marca porque ela reflete sua personalidade ou até onde sua personalidade reflete a marca que vocês está usando. Status? Aceitação social?

 

Zilamar Takeda - artista têxtil

Firmeza (objeto)

Eu gostei muito dessa obra. A presença é forte, profundo, raízes ou veias. Há vida? Tem sangue? A artista cita: ‘As coisas boas são como árvores com raízes profundas, por isso dão bons frutos’ (desconhecido). Mas onde estão os frutos?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A exposição fica até dia 27/08/2011, confiram! E tem mais fotos no nosso álbum do Flickr!

 

Colaboração: Casa Contemporânea, Fabrice Wermus e Monica Penteado

Escrito por Dani Argibay em 6 agosto, 2011 | Tags: , , ,

jun 07

E voltando ao assunto musical (amo não tem jeito rsrs) queria dividir outra experiência que tive no início deste ano. A produtora de figurino do espetáculo Evita, Eliana Liu, sempre muito generosa comigo, fez um convite para ajudá-la nas provas dos figurinos da peça. Ela tem uma vasta experiência no ramo e faz muitas parcerias com o figurinista do espetáculo, Fabio Namatame. Foi muito enriquecedor ver o trabalho destes profissionais. Envolve muita gente e muito suor. O resultado é deslumbrante.

O espetáculo tem a direção geral de Jorge Takla, e conta a história da maior diva argentina Eva Perón (Paula Capovilla), desde sua origem pobre, sua carreira como atriz e cantora de rádio, líder política do povo ao lado de seu marido, o general Juan Perón (Daniel Boaventura), e sua morte prematura em 1952, com 33 anos. A peça é narrada por Che Guevara (Fred Silveira), um opositor do governo na história oficial.

clique na foto para ampliar

Tive a oportunidade de entrevistar a Eliana Liu que me contou curiosidades sobre o figurino:

PF) Primeiramente, como foi o processo de criação? Vocês tiveram liberdade para fazer novas propostas ao figurino ou mantiveram um padrão?

EL: O Fabio Namatame, que é o figurinista, foi o criador de todos os figurinos. Acompanhei todo o processo. Ele já fez vários trabalhos com o diretor da peça e tem liberdade para propor idéias, porém deveria manter uma fidelidade quanto a época em que se passa a vida da Evita.

PF) Como foi a pesquisa histórica para compor o figurino dos personagens? Quais foram as referências?

EL: Foi feita uma vasta pesquisa histórica de figurinos. Foram mais ou menos 4 meses de pesquisas. O diretor viajou para Argentina e visitou alguns museus onde pode ver figurinos da Evita expostos. Comprou muitos livros, fotos e vídeos.

PF) Alguns figurinos da Evita foram inspirados nos vestidos de Cristian Dior. Como foi feito o trabalho, foi uma inspiração ou uma reprodução fiel das roupas que ela usava? Vocês tiveram algum contato com a Maison?

EL: O diretor conseguiu alguns croquis com desenhos dos vestidos que a Maison Dior fez para ela. Também conseguimos umas fotos do vestido tomara-que-caia que todos achavam que era branco quando na verdade era pérola meio rosado. Ela usou em um baile. Alguns modelos tentamos reproduzir mas com cores diferentes do original.

Croqui Maison Dior

clique na foto para ampliar

Croquis Figurinos Evita
Vestido original e o figurino

clique na foto para ampliar

PF) Quais foram os colaboradores para fazer os figurinos em especial os femininos?

EL: Fizemos uma parceria com a Daslu (Daslu Couture by Sandro Barros) para confeccionar todas os figurinos da Evita. Para as outras atrizes, usamos diversas costureiras, 2 alfaiates que só fazem alfaiataria feminina e um ateliê especializado em roupas de festa.

PF) Quais tecidos foram usados nos vestidos glamorosos de Evita?

EL: Usamos zibeline, musselines, crepes, lãs frias, tule, tule bordado, veludo e seda.

PF) Reparei assistindo da plateia que os detalhes de acessórios dos vestidos de Evita eram bem nítidos. Como foi o trabalho para que fosse tão visível pelo público?

EL: Alguns vestidos foram bordados à mão. Usamos canutilhos e paetês. As bijuterias mandamos confeccionar. Usamos muito strass importado e alguns cristais Swarowisky.

Vestido original e o figurino

clique na foto para ampliar

PF) Como é o dia-dia de uma produtora de figurino num musical desta grandeza? Quantas pessoas é necessário coordenar? Quantas costureiras, camareiras e parceiros tem de trabalhar para ter  tudo executado no tempo certo?

EL: Em um musical deste tamanho trabalhamos 6 meses todos os dias. Temos que ser organizados, fazer muitas listas de todos os departamentos: sapatos, vestidos, casacos, bijuterias, etc… Coordenar todos os dias o andamento da confecção de tudo e combinar prazos de entrega com todos os profissionais envolvidos além de marcar provas de roupas.

Curiosidades do figurino

- 350 figurinos

- 03 assistentes de figurino                       

- 17 costureiras                                   

- 07 camareiros

- 03 alfaiates masculinos

- 02 alfaiates femininos

- 04 sapateiros

- 07 peruqueiros

- chapeleiro

- ateliê de bijuterias

É muita gente para coordenar, não é??!! Parabéns Liu, a você, ao Fábio e a toda a equipe. Ficou belíssimo!!!

Você pode conferir abaixo o making off do musical com imagens da prova de figurino que falei no início do post!!

 

 

O espetáculo fica em cartaz até o dia 31 de julho no Teatro Alpha!! Vale a pena conferir!!!

Até a próxima

Beijinhos

Giovana

Escrito por Gi Menni em 7 junho, 2011 | Tags: ,

fev 20

Os carnavalescos adoram usar expressões exageradas, como ‘invadir a avenida‘, ‘desfile grandioso‘, sem contar o tamanho de seus carros alegóricos. Como disse semana passada, nunca liguei pra esse negócio de carnaval. Mas esse ano, além de um motivo específico e meu, também fui convidada por amigos do heart para ir ao Sambódromo e, escandalizada comigo mesma, não é que gostei! Assim, é bonito de ver, é um show, como uma coleção de moda a ser desfilada depois de trabalhada, além de uma expressão da cultura brasileira. Mas ainda continuo achando um gosto estragado… Gosto é gosto.

Aí, lá no Rio de Janeiro, a escola Porto da Pedra teve como tema a História da Moda. Claro que eu assisti! E achei bem interessante os links que eles fizeram, embora a transmissão da todapoderosa Rede Globo tenha deixado, e muito, a desejar. Mããããs, olha só: o primeiro carro representava a Pré História com Os Flinstones. A princípio, achei que não tinha nada a ver, até porque acredita-se que o homem começou a se cobrir com peles de animais por proteção, depois também por pudor. E o tigre símbolo da escola estava usando boné e piercing neste carro, como assim?!

Os Flinstones da Pré História e o Tigre de Piercing

Com a evolução da escola, fui percebendo as conexões. Afinal, na moda se fala muito de retrô e vintage, que são justamente esses resgates em modas passadas misturados ao modernismo. Então, a escola foi passando pela Antiguidade Clássica, Idade Média (enfatizando o Bizâncio e o Gótico), Renascimento, Barroco, Rococó e Neoclássico, até então mostrando a realeza como influência (ditadora) da moda, depois Século XX e Brasil. Claro, aquilo tudo é apenas uma representação e não daria tempo de mostrar tanta história, mesmo. Para quem não entende nada de História da Moda, assistir à Porto da Pedra teria sido um exercício tanto válido. A escola conseguiu mostrar a evolução e as relações diretas dos movimentos de arte com a arquitetura e, principalmente, a moda.

A Cleópatra da Antiguidade Clássica, o Gótico da Idade Média, a Rainha Elizabeth do Renascimento (melhor de baiana que de Geyse!) e o Rei Luís XIV do Barroco

Só que nem tudo é perfeito… A Geyse estava lá, desfilando, representando justo a Rainha Elizabeth! Se ainda houvesse restos mortais da bichinha por aí, ela deveria ter se remexido mesmo no túmulo… De qualquer forma, ela estar na mídia tem a ver com indumentária. Então compreensível, vai. Em contrapartida, Marília ‘Coco Chanel’ Pêra desbancou esse pequeno deslize e a-ha-sou!! Sem contar tantas outras referências representadas, que foram desde Charles Worth (considerado o ‘Pai da alta costura’ por assinar suas criações, acreditando que eram obras de arte, como na pintura, e criando a exclusividade na moda) a Clodovil, passando por Lanvin, Yves Saint Laurent, Valentino, Madeleine Vionnet e queridíssimos brasucas, como Alexandre Herchcovitch, Zuzu Angel, entre outros. Alguns até presentes na avenida!

Naomi de Yves Saint Laurent à la Mondrian, Marília 'Coco Chanel' Pêra e Alexandre Herchcovitch

Se você perdeu essa aula, vale conferir no site da Porto da Pedra a sinopse do desfile, uma aula tão básica quanto a transmitida, só faltou imagens. Falando nisso, ficou claro que os repórteres poderiam ter feito pelo menos uma pesquisenha básica no Google, pois nunca ouvi tanta baboseira sobre o tema! Ou então, como disse @LilianPacce, não custava nada ter convidado alguém da área para fazer comentários decentes e válidos, a escola merecia! E a entrevista com Paulo Menezes, carnavalesco da Porto da Pedra, ao Fashion Foward também é ótema!

E pra finalizar, o refrão mais lindo do samba enredo, um pensamento de presente para nós, admiradores da moda:

Sapucaí Fashion Day e alguns dos nossos estilistas

Eu sei que a arte caminhou
Modéstia à parte encontrou
Na moda a luz da emoção,
Em cada estilo uma expressão

Infelizmente, a Porto da Pedra não agradou muito os quesitos carnavalescos e ficou na antepenúltima colocação… Pelo menos não foi rebaixada.
Escrito por Dani Argibay em 20 fevereiro, 2010 | Tags: ,